Cumprimentos para todos

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Cumprimentos para todos

Mensagem  Miguel VP em Sex Ago 24, 2012 4:19 pm

Venho apresentar os meus cumprimentos a todos os membros deste fórum e saudá-los pela ajuda e pelo apoio que vão prestando a quem sofre desta doença.

O meu caso começa há dois anos e meio (Janeiro de 2010) com uma dor no ombro direito.

O Médico de Família
O médico de família diagnostica como tendinite do supra-espinhoso e prescreve AINE e fisioterapia. Como não resultou voltei ao médico que pediu uma ecografia ao ombro direito. A Ecografia não apresentava alterações.

O Osteopata
As dores pioravam e resolvi ir a um osteopata que fez a "manipulação" normal para estes casos e suspeitou de uma subluxação do ombro. Corri para um médico que pediu uma ressonância magnética ao ombro que indicou uma ruptura parcial do tendão supra-espinhoso e a bursa sub-acromial inflamada (bursite).

O Fisiatra
Fiz fisioterapia numa clínica privada, com equipamento de última geração: laser pontual e de varrimento, indiba, ultra-sons frio, corrente galvânica e massagens, 4 sessões de ondas de choque e infiltrações com factores de crescimento. A dor não passou e começou-me a doer, embora com menos intensidade, o ombro esquerdo também. De seguida, o médico (fisiatra) colocou-me a hipótese de poder ser uma disfunção chamada "Ranger de Dentes" e recomendou-me uma clínica dentária para fazer uma "Goteira".

O Dentista
Este foi o pior capítulo da saga da minha doença. Foi perder tempo e muito dinheiro!!! Por esta altura tomava muitos AINE por minha conta (Nimed e Brufen) mas o efeito era praticamente nulo. Os analgésicos, tipo Paracetamol, também não tinham qualquer eficácia.

A Reumatologista
As dores passaram principalmente para o rebordo da escápula (omoplata) direita e chegavam a um valor de 10 na escala de 1 a 10. De pouco dormir passei a nada dormir e cheguei mesmo a pensar em soluções extremas. Foi então que consultei uma reumatologista num consultório privado. Diagnosticou-me o Síndroma do Conflito Sub-Acromial e aplicou-me duas infiltrações com corticóides e disse-me para fazer exercícios específicos para esta patologia.
Passado uma semana comecei a melhorar muito lentamente e estive com índices de dor bastante mais baixos durante cerca de dois meses.

Novamente o Médico de Família
Quando as dores voltaram tão fortes como antes voltei ao médico de família com todo este historial. Em várias consultas fomos experimentando vários analgésicos e anti-inflamatórios até que detectei que um analgésico diminuía-me, de facto, as dores de forma a torná-las suportáveis e permitir dormir algumas horas. Esse medicamento é o Tramadol que é um derivado do ópio e é um dos que continuo a tomar sempre. Nenhum anti-inflamatório resultava. Entretanto o médico de família encaminhou-me para as consultas externas de Reumatologia no Hospital.

O Reumatologista do Hospital
Mais um médico diferente a quem tenho que contar a historia toda. Fiz uma outra ressonância magnética no Hospital que não apresentou nada de anormal. O médico também explicou que a resolução das imagens do equipamento do Hospital é 5X inferior à resolução das imagens da ressonância que eu tinha feito anteriormente a nível particular. Parece impossível mas é verdade. Foi por esta altura ( Dezembro de 2011) que eu começo a sentir dores na zona lombar e sacra já de madrugada. Quando me levantava as dores passavam dali a uns 10 ou 15 minutos. Na primeira consulta nem me queixei disso pois pensei que era por passar muitas horas deitado na cama. Hoje percebo que as dores poderiam já estar lá há algum tempo mas por ter passado muito tempo a tomar AINE não as sentia.
Estas dores foram piorando e o médico prescreveu AINE (AIRTAL) e pediu RX às zonas lombar e Sacra, assim como análises ao sangue, incluindo o nosso conhecido HLA-B27.
Chegou quarta-feira, dia 22 de Agosto de 2012, a hora da consulta na qual o médico ditaria a minha sentença de vida. Não preciso de descrever o que sentia naquele momento. A maior parte dos utilizadores deste fórum sentiram algo semelhante. A forma "normal" como os médicos gerem estas coisas é profundamente irritante. Cumprimentam-nos à entrada, olham para o nosso processo como se não se recordassem de nada. Após eu referir que as dores na coluna respondiam aos anti-inflamatórios, que é mais um indicador da Espondilite, o médico disse-me que o RX "mostra algumas alterações que podem ser compatíveis com uma espondilopatia", as análises ao sangue têm alguns parâmetros fora do normal; velocidade de sedimentação alta, leucócitos altos, entre outros, mas o HLA-B27 é negativo. Se fosse positivo o diagnóstico seria fechado naquela altura mas, sendo assim, farei mais análises em Novembro e vamos verificar a evolução.

Diagnóstico ainda em aberto
Neste momento ainda não posso ter a certeza que tenho Espondilite Anquilosante. Acreditem que a ansiedade de não saber é terrível. Ainda tenho a hipótese de ter EA e a dor na escápula não estar relacionada com esta doença o que tornaria o quadro bastante pior.
Peço desculpa por esta longa exposição mas penso que os pormenores podem ajudar outros a não cometerem alguns erros que cometi e a chegarem mais depressa a um diagnóstico que é sempre melhor. Quando sabemos quem é o inimigo podemos preparar melhor a batalha e tentar lutar, por muito forte que o inimigo possa parecer.

Se chegaram até aqui obrigado por lerem até ao fim,

Miguel VP

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