Doenças Reumáticas e Gravidez

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Doenças Reumáticas e Gravidez

Mensagem  Susana Lopes em Qui Fev 07, 2008 9:10 am

As doenças reumáticas, principalmente as doenças inflamatórias crónicas do tecido conjuntivo, caracterizam-se pelo predomínio do sexo feminino e início em idade jovem.

A Artrite Idiopática Juvenil é um exemplo destas doenças, mas outras também se podem iniciar numa idade fértil, tais como o Lúpus Eritematoso Sistémico, a Artrite Reumatóide, a Esclerodermia e a Dermatomiosite.

Estas jovens mulheres, por vezes exprimem a sua preocupação em relação a três aspectos: a fertilidade, a influência da gravidez na sua doença e a influência da doença e o tratamento na evolução da gravidez e no feto. Estes aspectos são, em seguida, discutidos de forma sucinta.

Fertilidade

As várias doenças reumáticas não afectam a fertilidade das jovens portadoras. Nos EUA, realizou-se um estudo em que os autores verificaram que 1/3 das mulheres com Artrite Idiopática Juvenil têm filhos por volta dos 20 anos, idade sobreponível à observada na população em geral. A única excepção parece ser a Esclerodermia, a infertilidade é três vezes mais frequente que na população em geral.

Todavia isto não é um dado consensual. A fibrose, que é característica desta doença, pode afectar o aparelho reprodutor e deste modo seria responsável por este problema de fertilidade.

No Lupus Eritematoso Sistémico a actividade da doença pode interferir com a fertilidade. Durante os períodos de maior actividade da doença há uma disfunção ovárica, que se traduz em amenorreia transitória. Uma vez controlada a doença desaparece este distúrbio.

Alguns fármacos utilizados no controle da doença podem interferir com a fertilidade. O principal exemplo é a ciclofosfamida. A insuficiência ovárica precoce tem sido descrita em 27 a 41 % das mulheres submetidas a este tratamento. Os factores de risco são a idade de início do tratamento, a dose cumulativa e o grau de supressão medular. A sulfassalazina pode provocar oligospermia no jovem submetido a este tratamento, mas é reversível logo após a sua interrupção.

Muitos dos aspectos reprodutivos estão dependentes da acção de prostaglandinas. O uso de anti-inflamatórios não esteróides no modelo animal induz infertilidade. Na literatura médica há alguns casos descritos de distúrbios da fertilidade relacionados com o uso de piroxicam, naproxeno e diclofenac. Estes desaparecem com a descontinuação do anti-inflamatório não esteróide. O uso de inibidores da COX-2 determina igualmente infertilidade, a qual é reversível após a sua suspensão.

Influência da Gravidez na Doença

A exacerbação da doença durante a gravidez é uma questão difícil de responder. Isto porque cada doente é um doente e cada doença tem o seu comportamento típico.

Antes de falar do comportamento da doença reumática durante a gravidez é importante relembrar que a gravidez induz alterações no corpo da mulher as quais permitem o desenvolvimento de um novo ser vivo, sem que ocorra um fenómeno de rejeição. Estas alterações são múltiplas, incluindo hormonais e imunitárias.

A Artrite Idiopática Juvenil caracteriza-se por uma melhoria clínica durante a gravidez. Cerca de 60% das mulheres com doença activa descrevem uma remissão clínica. Há a recidiva da doença no período pós-parto em 50% das mulheres.

A exacerbação da doença no período pós-parto foi mais frequente nas mulheres que tem doença activa antes da gravidez, naquelas que tiveram exacerbação da doença em gestações prévias e na mulher que amamenta. Uma revisão recentemente publicada sugere que a maioria das mulheres, com Artrite Idiopática Juvenil têm uma gravidez que decorre sem intercorrências.

Cerca de 70% das mulheres com Artrite Reumatóide referem melhoria da artrite durante a gravidez. Esta se inicia durante o 1º trimestre e mantém-se durante toda a gravidez. Há por vezes remissão completa dos sintomas.

Todavia a evolução pode ser flutuante e por vezes há necessidade de usar analgésico para alivio sintomático. Em mais de metade dos casos há recidiva no período pós-parto, nas oito semanas seguintes. Esta recidiva não é influenciada pela amamentação.

Embora o grau de inflamação possa ser mais grave, comparativamente ao existente antes da gravidez, na maioria dos casos o quadro clínico é idêntico ao anterior. A doença tem um comportamento idêntico, em próximas gestações.

A gravidez não proporciona melhoria sintomática na mulher com Espondilite Anquilosante. Uma exacerbação clínica transitória é frequente.

No Lupus Eritematoso Sistémico (LES) a exacerbação da doença é comum, todavia a sua frequência varia entre 8-70%. Nos estudos em que houve comparação simultânea com mulher não grávida, a taxa de exacerbação foi sobreponível. Num estudo que fiz no HSM em 1994, das 51 gestações em mulheres com LES houve exacerbação da doença em apenas oito casos (16%).

As manifestações clínicas do LES nos períodos de agudização são essencialmente sintomas constitucionais, cutâneos e músculo-esqueléticos. A inactividade do LES no início da gravidez confere um efeito protector. O período de agudização é variável, no estudo que eu fiz foi mais frequente no 2º trimestre.

A nefropatia lúpica e a gravidez ainda são uma preocupação no seguimento destas mulheres. No entanto, os estudos publicados permitem concluir que a gravidez não é uma ameaça para o rim desde que haja remissão clínica antes da concepção.

Em 88% das mulheres com Esclerodermia, a doença mantém-se estável durante toda a gravidez, sendo a morbilidade e a mortalidade idêntica às mulheres não grávidas. A maior preocupação no seguimento destas jovens é a crise renal. Esta ocorre essencialmente, na Esclerodermia difusa com uma evolução rápidamente progressiva, durante os primeiros anos da doença. Daí que muitos autores aconselhem evitar a gravidez durante este período. Os inibidores da enzima de conversão da angiotensina são utilizados quando há compromisso renal na Esclerodermia, mas estão contra-indicados durante a gravidez.

A gravidez não proporciona melhoria sintomática na mulher com Espondilite Anquilosante. Uma exacerbação clínica transitória é frequente.

A Artrite Psoriática e a Artropatia associada a doenças inflamatórias do intestino acompanha-se de uma melhoria do quadro articular.

Influência da Doença na Gravidez

Durante a gravidez podem surgir complicações maternas, tais como: hipertensão gestacional, pré-eclâmpsia, s. Hellp. Na mulher com doença reumática

Na Artrite Reumatóide, na Artrite Idiopática Juvenil, nas Espondilartropatias, a evolução da gravidez é favorável, não havendo maior risco de complicações maternas comparativamente à população em geral. O compromisso grave das articulações coxo-femurais ou a existência de prótese articular poderá inviabilizar o parto por via vaginal, sendo necessário realizar uma cesariana.

Nestas jovens, principalmente na Artrite Idiopática Juvenil de início poliarticular ou sistémico e na Artrite Reumatóide, o compromisso da coluna cervical pode dificultar a realização de entubação oro-traqueal, no contexto de uma anestesia geral. Mas, todos estes problemas devem ser equacionados previamente à concepção, para se escolherem as melhores abordagem terapêuticas. Actualmente, muitas das cesarianas efectuam-se sob anestesia epidural, não havendo necessidade de recorrer à anestesia geral.

A prevalência da pré-eclâmpsia na mulher com LES é de 3-30%. As doentes com nefropatia lúpica tem uma maior probabilidade de a desenvolver. O maior desafio clínico, no seguimento destes doentes é o diagnóstico diferencial entre nefropatia lúpica e pré-eclâmpsia. Ambas as entidades cursam com hipertensão arterial, edemas e proteinúria.

A presença de um sedimento urinário activo, ou seja, com cilindrúria, hematúria, leucocitúria, associado a anti-DNAds, lesões cutâneas de vasculite poderão orientar no diagnostico de compromisso renal pelo LES.

Tal como no LES, na Esclerodermia é por vezes difícil distinguir a pré-eclâmpsia da crise renal, pois a sintomatologia clínica é sobreponível, mas o tratamento é distinto. Uma outra complicação frequente na mulher grávida é os vómitos, que por vezes são frequentes incoercíveis. Na Esclerodermia com compromisso do esófago e consequente refluxo gastro-esofágico, os episódios de vómitos podem se complicar de sindrome Mallory-Weiss. A fibrose cutânea característica desta doença pode afectar a região do períneo e o colo do útero, o que dificulta o parto por via vaginal, sendo necessário recorrer à cesariana.

Influência da Doença na Gravidez - Evolução Fetal

Durante a gravidez podem surgir complicações fetais: aborto espontâneo, aborto tardio, nado-morto, atraso crescimento intra-uterino, prematuridade, malformações fetais e Lupus Neonatal.

Alguns estudos sugerem um aumento ligeiro da frequência de perdas fetais (aborto espontâneo, aborto tardio, nado-morto) na Artrite Reumatóide e na Artrite Idiopática Juvenil. No entanto, esta conclusão não é consensual. Deste modo, vários autores concluem que estas doenças não determinam complicações fetais.

Há um trabalho recentemente publicado, no qual os autores demonstram que as crianças de mães com poliartrite activa durante a gravidez tem um baixo peso à nascença comparativamente com a população saudável. Todavia os resultados não foram muito dispares, como se constata nos valores apresentados que foram de 3,34+0,53 Kg e 3,52+0,39Kg, respectivamente nos recém-nascidos de mães com poliartrite e de mães saudáveis.

Na Esclerodermia parece haver uma maior frequência de abortos espontâneos, mas também em relação a este facto não há consenso entre os autores que se dedicam a estuda-la. A principal complicação é a prematuridade e os recém-nascidos de baixo peso à nascença. O fenómeno de Raynaud confere uma maior probabilidade de a mulher ter um recém–nascido com baixo peso e de ter problemas de fertilidade. O vasospasmo na unidade utero-placentária é a possível explicação.

A evolução fetal adversa descrita no LES tem sido descrita com uma frequência que varia entre 5-34%. No meu trabalho, das 51 gestações apenas nove evoluíram para perda fetal. A nefropatia activa no momento da concepção, os anticorpos antifosfolípidos e os antecedentes de perdas fetais são os factores de risco associados a esta evolução.

No meu trabalho houve relação directa entre as perdas fetais e os anticorpos antifosfolípidos. A prematuridade ocorre em 6-63% destas gestações e ¼ dos recém-nascidos tem atraso de crescimento intra-uterino. Estas duas situações são responsáveis pela utilização de cuidados de saúde perinatais especializados.

As mulheres portadoras de anticorpo anti-Ro (SSA) e / ou anti-La (SSB) tem um risco de 1 a 2% de ter uma criança com Lupus Neonatal. A mulher que contem estes anticorpos no contexto de S.Sjögren tem um risco ligeiramente superior. O risco de recorrência é de 15% numa futura gestação. Este é o único síndrome em que os auto-anticorpos maternos ao atravessarem a placenta vão ter uma acção no feto.

O Lupus Neonatal caracteriza-se pelo compromisso cardíaco irreversível com bloqueio cardíaco congénito. Na maioria dos casos há compromisso de outros órgãos, o qual é reversível. O mais frequente é o cutâneo, com máculas eritematosas anulares localizadas no couro cabeludo e face. Há resolução espontânea por volta do 6º mês sem deixar sequelas.

A vigilância fetal das mulheres portadoras deste auto-anticorpo deve deste modo incluir o ecocardiograma fetal a partir da 18ª semana de gestação.O prognóstico deste síndrome é determinado pelo compromisso cardíaco, o qual se associa com uma elevada taxa de mortalidade e morbilidade. Cerca de 15 a 30% dos recém-nascidos morrem e 2/3 necessitam de colocar pacemaker nos três 1º meses de vida.

Um outro anticorpo materno que se associa a uma evolução fetal adversa é o anticorpo anticardiolipina IgG, como acima mencionado.

Os filhos de mulheres com Espondilite Anquilosante e HLA-B27 podem vir a ter a doença, em cerca de 10% dos casos, mas unicamente se forem HLA-B27. Se a criança não for HLA-B27 o risco não é diferente da população em geral.
(continua)

Drª Maria Manuela Costa - Reumatologista

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Susana Lopes


Última edição por em Qui Fev 07, 2008 9:14 am, editado 1 vez(es)

Susana Lopes

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Doenças Reumáticas e Gravidez (continuação)

Mensagem  Susana Lopes em Qui Fev 07, 2008 9:13 am

Fármacos e a Gravidez

Durante muitas das gestações de mulheres com doenças reumáticas há necessidade de usar fármacos para controle da doença. É óbvio que por vezes surjam dúvidas em relação à sua continuação durante a gravidez, pelos eventuais riscos fetais.

Os anti-inflamatórios não esteróides (AINE’s) são os fármacos mais usados na prática clínica do reumatologista. Em experimentação animal está descrito um possível efeito teratogénico, que não tem sido referido na prática clínica. O seu uso não é isento de riscos, devido à sua acção na inibição da síntese das prostaglandinas, o qual pode determinar o encerramento precoce do canal arterioso, com persistência da circulação fetal, o prolongamento do tempo de gestação e do trabalho de parto.

Há ainda o risco de hemorragia fetal e materna pela sua acção na função plaquetária. Deste modo, o seu uso deverá ser interrompido no último trimestre.

Os corticosteróides usados desde hà muitos anos, não se acompanham de malformações fetais. No entanto, está descrita a ocorrência de fenda palatina e lábio leporino no modelo animal. Na prática clínica não tem sido descrito quadros anómalos.

O corticosteróide mais utilizado é a prednisolona. Este esteróide é metabolizado pela 11β dehidrogenase placentária no seu metabolito inactivo, não passando a barreira utero-placentária. Quando se pretende usar um corticosteróide que atravesse a barreira utero-placentária a escolha recai na dexametasona. O lupus neonatal com compromisso cardíaco é um exemplo desta situação.Há autores que preconizam a monitorização da função da supra-renal e a exclusão de infecção em todo o recém-nascido cuja mãe esteve sob corticoterapia durante a gravidez.

Na maioria das situações reumatológicas esta atitude é desnecessária, pois as doses efectuadas são de 5 a 10 mg por dia e sob esta dose não há aumento da incidência destas complicações na criança. Durante a gravidez a artrite pode ser controlada com corticosteróides administrados por via intra-articular.

O uso de antipalúdicos de síntese durante a gravidez até à pouco tempo estava formalmente contra-indicado. Os estudos publicados nos últimos anos demonstram que a sua suspensão acompanha-se de maiores riscos maternos e fetais comparativamente ao seu uso contínuo.

Todavia, as mães devem ser informadas que estes fármacos podem provocar malformações congénitas e principalmente lesões no sistema auditivo. A semi-vida dos antipalúdicos de síntese é longa, pelo a sua interrupção deve ocorrer muito antes da concepção. Actualmente muitos autores optam pela sua continuação pelo baixo risco de toxicidade fetal e pelo elevado risco de exacerbação da doença com as consequências maternas e fetais.

Em experimentação animal o uso de sais de ouro associou-se a malformações do sistema nervoso central. Os estudos retrospectivos publicados não demonstram um aumento da incidência de malformações fetais. No entanto o seu uso deverá ser evitado porque atravessa a placenta.

A sulfassalazina atravessa a placenta, mas não parece determinar um aumento da incidência de anomalias fetais, pelo que o seu uso durante a gravidez pode ocorrer. No entanto, a melhoria clinica observada durante a gravidez nas mulheres com Artrite Reumatóide e Artrite Idiopática Juvenil pode permitir a sua suspensão.

Os imunossupressores estão contra-indicados durante a gravidez, nomeadamente a ciclofosfamida, o clorambucil, o metotrexato, a leflunomida, a D-penicilamina e a ciclosporina. O metotrexato é teratogénico e deve ser interrompido 3 a 6 meses antes da concepção. Durante este período a jovem mulher deve fazer um suplemento de ácido fólico para prevenir os defeitos do tubo neural.

A azatioprina é um imunossupressor usado há muitos anos em algumas doenças reumáticas e que deve ser evitado. Este medicamento interfere na síntese das purinas e o seu uso pode associar-se com malformações congénitas, cromossómicas e distúrbios imunitários graves. Todavia, os estudos que analisaram o seu uso durante a gravidez não demonstram um aumento da incidência de malformações congénitas.

Nestes estudos não foi avaliada a sua possível acção no sistema reprodutivo e no aumento da incidência de neoplasias.

Nas mulheres com síndrome de anticorpos antifosfolípidos medicadas com varfarina devem proceder à sua substituição pela heparina antes da concepção. A varfarina tem uma acção teratogénica que se exerce entre a 6ª e a 12ª semana de gestação. Durante o último trimestre há o risco de hemorragia fetal e materna.

Amamentação e Doenças Reumáticas

Os fármacos usados no tratamento das doenças reumáticas são excretados para o leite materno e daí alguns cuidados devam ser tomados para evitar a exposição do recém-nascido a estes medicamentos. Os medicamentos passam para o leite materno por difusão passiva, mas vários factores interferem neste processo: concentração sanguínea, solubilidade lípidica, grau de ionização e ligação às proteínas do leite.

Na escolha do AINE’s devemos ter em atenção a sua semi-vida e optar por aquele com um semi-vida mais curta, por exemplo o ibuprofeno. O diclofenac tem uma semi-vida curta mas o seu metabolito activo tem uma semi-vida longa. O AINE’s deve ser tomado no início da amamentação, assumindo que cada mamada tem uma duração de 20 minutos e que a próxima mamada será ao fim de 4 horas. Deste modo a criança fica exposta a uma dose mínima do fármaco.

O uso de corticosteróides é permitido desde que se escolha a prednisona, numa dose de 5 a 10 mg por dia. Doses superiores devem ser evitadas, pois a criança vai ter as complicações inerentes a esta terapêutica.

A sulfassalazina deve ser usada com precaução, apesar de excretada em pequena concentração. A sua ligação às proteínas poderá interferir com o metabolismo da bilirrubina. O seu metabolito, a sulfapiridina, é excretado no leite materno numa elevada concentração, mas ao contrário da sulfassalazina não interfere na ligação da bilirrubina às proteínas.

Os antipalúdicos de síntese não devem ser usados durante a amamentação. Cerca de um terço da dose materna passa para o leite e deste modo, a criança fica exposta a este fármaco.

Os sais de ouro administrados por via intramuscular apesar de serem excretados no leite materno, cerca de 20% da dose, não são absorvidos pela criança. Mas têm sido descritos complicações na criança, daí devam ser evitados.

A D-penicilamina está contra-indicada. O metotrexato é detectado em pequenas quantidades no leite materno, mas não está indicado o seu uso durante a amamentação pelo risco de se desenvolver na criança várias complicações: imunossupressão, mielossupressão, distúrbios do crescimento e neoplasias. A mesma atitude se recomenda em relação à azatioprina.


Conclusão


A monitorização e vigilância periódica das grávidas com doença reumática, com intervenção atempada contribui para uma melhor evolução fetal e materna que se tem assistido nos últimos anos.

A gravidez nestas mulheres não deve ser desencorajada. Todavia a concepção deve ocorrer durante um período de remissão clínica.

Os recém-nascidos são tão saudáveis como as outras crianças, com a mesma idade gestacional e peso, não estando descrita uma maior percentagem de anomalias congénitas.

É importante não esquecer que uma criança requer muitos cuidados os quais podem aumentar o cansaço e a dor articular subjacente à doença reumática.

Uns períodos de repouso adicional e a ajuda de terceiros ajudam a ultrapassar este obstáculo.

Drª Maria Manuela Costa - Reumatologista

Referências
1. Dudley DJ, Branch DW. Pregnancy in the patient with rheumatic disease: the obstetrician’s perspective. Baillière Clinical Rheumatology 1990; 4: 141-155.
2. Costa MM, Marques A, Queiroz MV. A gravidez na mulher com Lupus Eritematoso Sistémico. Rev. Port. Reumatol 1997; 8(72):1913-1922.
3. Bowden AP, Barrett JH, Fallow W, Silman AJ. Women with inflammatory polyarthritis have babies of lower birth weight. J Rheumatol 2001; 28: 355-359.
4. Østensen M. Pregnancy in patients with a history of Juvenile Rheumatoid Arthritis. Arthritis Rheum 1991; 34 (7): 881-887.
5. Østensen M, Husey G. A prospective clinical study of the effect of pregnancy on Rheumatoid Arthritis and Ankylosing Spondylitis. Arthritis Rheum 1983; 26(9): 1155-1159.
6. Musiej-Nowakowska E, Ploski R. Pregnancy and early onset pauciarticular juvenile chronic arthritis. Ann Rheum Dis 1999; 58: 475-480.
7. Østensen M. Counsenlling women with rheumatic disease- how many children are desirable? Scand J Rheumatol 1991; 20: 121-126.
8. Barret J H, Brennan P, Fiddler M, Silman AJ. Does Rheumatoid arthritis remit during pregnancy and relapse postpartum? Arthritis Rheum 1999; 42 (6): 1219-1227.
9. Østensen M, Almberg K, Koksvik HS. Sex, Reproduction and gynaecological disease in young adults with a history of juvenile chronic arthritis. J Rheumatol 2000; 27: 1783-1787.
10. Meng C, Lockshin M. Pregnancy in lupus. Cur Op Rheum 1999; 11: 348-351.
11. Brucato A, Frassi M et al. Risk of congenital complete heart block in newborns of mothers with anti-Ro/SSA antibodies detected by counterimmunoelectrophoresis: a prospective study of 100 women. Arthritis Rheum 2001; 44 8: 1832-1835.
12. Theander E, Brucato A, et al. Primary Sjögren syndrome – treatment of fetal incomplete atrioventricular block with dexamethasone. J Rheumatol 2001; 28: 373-376.
13. Costa MM, Marques A, Queiroz MV. Complicações da gravidez no Lupus Eritematoso Sistémico. Arquivos CIAR 2000; X (1): 17-21.
14. Norman RJ. Reproductive consequences of cox-2 inhibition. Lancet 2001; 358(20): 1287-1288.

Última modificação 2006-06-02 21:04


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Re: Doenças Reumáticas e Gravidez

Mensagem  Devilangel em Sab Abr 26, 2008 3:39 pm

Olá a todos,

Tenho uma dúvida. As mulheres com EA podem dar á luz de parto natural? E se for cesariana, pode ser com epidural ou tem mesmo de ser com anestesia geral.

Bjinhos, flower

Devilangel

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Re: Doenças Reumáticas e Gravidez

Mensagem  Susana Lopes em Ter Maio 13, 2008 6:46 am

Querida Devilangel...

Só agoro respondo à sua pergunta porque não estado por cá Sad

Tenho andado a pesquisar mais sobre a EA e a gravidez... pouco se fala sobre isso - como já é habitual, neste país. Mas creio que depende do estado evolutivo da doença, em que a paciente se encontra.

Assim que eu conseguir descobrir algo de concreto, eu digo-lhe. Ah... como faz falta um médico que nos explique tudo o que queremos\devemos e que temos o Direito a saber, não é?

Um beijo ensolarado sunny

Até de repente,


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Re: Doenças Reumáticas e Gravidez

Mensagem  Lúcia em Seg Fev 09, 2009 7:15 pm

Boa tarde!

Eu tenho uma filha com 17 meses e, quando fiz o teste de gravidez, deixei logo de tomar o Lepicortinolo, tomava 40mg por dia. Nunca tive problemas e posso dizer que os sintomas desapareceram todos, não tive dores nem efeitos secundários. Mas sempre li na net que as doentes com síndrome de reiter, durante a gravidez não tinham sintomas e realmente confirmei que é verdade. A solução passaria por engravidar de novo, e de novo, e de novo Laughing No entanto, passados 15 dias do parto, apareceram os sintomas a triplicar, fiquei sem força nos joelhos. Lá tive de voltar ao Lepicortinolo, mas reduzi a dose, comecei com 15mg e mantenho ainda.

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Re: Doenças Reumáticas e Gravidez

Mensagem  Convidad em Seg Fev 09, 2009 9:52 pm

Very Happy : Very Happy Very Happy Very Happy Very Happy Very Happy TAMBEM JA OUVI E LI SOBRE ISSO... TALVEZ ATE SEJA POR AI QUE UM DIA DESCUBRAM A CURA...

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Re: Doenças Reumáticas e Gravidez

Mensagem  Convidad em Qua Fev 11, 2009 5:40 pm

Também eu, durante a minha gravidez esqueci das dores reumáticas. O único incómodo era que tinha uma gravidez de risco com descolamento da placênta e passei o tempo todo em casa "passeando" da cama para o sofa com raras saídas e muitas dores(contrações). A gravidez antes desta acabou com aborto espontâneo. Com esta segunda gravidez não ouvi o que os médicos diziam, tipo que a gravidez não é nenhuma doença e tem que levar uma vida normal e também com o tempo de gestação muito pequeno, se tiver problemas, cá, em Portugal não se preocupam muito, como eu percebi. Então a segunda vez fui mais teimosa e fiquei de baixa, deitada(por iniciatíva própria), quando ninguem me disse para estar deitada e que se tinha que abortar, aboratava e que isto de estar deitada não resultaria. Entretanto passado 2 semanas na ecográfia disseram que já não tinha descolamento e podia ir trabalhar. Não fui. Fui ao médico de familia e pedi a prorrogação da baixa por alto risco. Ele deu e depois fui a uma outra médica, que trata de mulheres com doenças auto-imunes na MAC e ela até ao fim passava-me baixas. Assim tive a minha querida filha. Antes de engravidar deixei de tomar metotrexato e só passado 6-7 mes. comecei a tentar. Engravidei passado +/- um ano. A cortisona tomei durante a gravidez toda + aspirina 10 mg todos os dias até ao fim da gestação. Tive a minha filha por cesariana, por que no dia de ficar internada para provocarem o parto, o CTG mostrou que ela estava em sofremento. Foi tudo muito rápido. Depois de gravidez uns 2 meses senti-me muito bem. Depois as dores começaram. Foi horrivel. E a médica diz que a gravidez prejudicou muito a doença. A minha artrite começou a progredir com força. Mas tenho uma filha linda e até agora tem sido saudável. Isto se não contar que ficou internada 41 dias, porque ao 3º dia fez trombose cerebral. Não descobriram a razão disto. Fizeram montes de exames e analises à ela e a nos, aos pais e não conseguiram perceber o que provocou a trombose. Felizmente recuperou bem e não ficou com sequêlas.

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Estarei a fazer bem?

Mensagem  Liliana Quintas em Sex Set 06, 2013 2:56 pm

Tenho 31 anos e tou a tentar engravidar desde Outubro 2012.
Desde que começei a fazer corticóies -o deflazacorte 6 (1/dia) e o antinflamatório solexa20(1 dia)+ paracetamol sos-que tenho andado melhor com menos dores e queixas, e com qualidade de vida razoavel. Até há cerca de um mês em que tive uma recaída (em pleno verão, o que não me acontecia). tou a tentar engravidar mas ainda não consegui e iniciei terapeutica hormonal Dufine e Duphastom em Abril. Parece que estes medicamentos podem interferir com o solexa e c/ deflazacorte, mas só falei disto agora com o meu reumatologista e ele diz que até mesmo em termos de fertilidade o solexa não é muito bom?!! Mas pra já não mo retirou e disse apenas para trocar o deflazacorte pelo lepicortinolo5- 1 +1/. Que tenho feito ha cerca de uma semana mas continuo mal.
Ah. A mesntruação esteve dois meses sem vir, veio agora!!
O que acham?deveria parar o solexa?

Liliana Quintas

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